Comunidade quilombola atendida pelo Procase recebe certificação da Fundação Cultural Palmares

Desde essa segunda-feira (20), dia da Consciência Negra, a comunidade Cacimba Nova, localizada no município de São João do Tigre, no Cariri paraibano, está formalmente certificada como remanescente de quilombo. A comunidade sediou o último Intercâmbio Quilombola realizado pelo Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú (Procase), quando teve a oportunidade de conhecer outras comunidades já certificadas e obter mais informações quanto ao processo de certificação e aos direitos garantidos após a obtenção desse reconhecimento.

Durante o Intercâmbio, a comunidade estava no processo inicial para obtenção do reconhecimento, e a troca de experiências com outras comunidades foi importante para fortalecer e orientar melhor esse processo. Um dos jovens da comunidade, Josiel Alves, que está resgatando a história do lugar por meio de pesquisa em livros e de entrevistas feitas com os moradores mais antigos da região, também foi beneficiado pelas ações do Procase por meio da participação no curso de viveirismo, podendo utilizar e replicar os conhecimentos adquiridos junto à sua comunidade.

História - A origem da comunidade remonta à história de Joana Batista, negra encontrada ao pé de uma cerca, em processo de fuga e perseguida por cães. Resgatada por pessoas da região, a escrava fugida permaneceu na área, onde, posteriormente, constituiu família e muitos anos depois comprou o terreno por 55 mil réis. A partir de Joana Batista foram surgindo todas as 87 famílias que hoje vivem em Cacimba Nova.  Há quatro anos, a comunidade começou a se organizar a partir da liderança da rendeira quilombola Maria Ventura, e fundou a Associação Quilombola Rural de Cacimba Nova e Adjacências.

O Procase é fruto da parceria entre o Governo do Estado da Paraíba e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), organismo das Nações Unidas (ONU), beneficiando 56 municípios do semiárido paraibano, e visa fortalecer a agricultura familiar e contribuir para o desenvolvimento rural sustentável, reduzindo os níveis de pobreza rural e fortalecendo ações de prevenção e mitigação da desertificação.

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