Mãe negligenciou saúde de criança vítima de estupro que deu à luz, diz promotor.

A mãe da menina de 11 anos vítima de estupro que deu à luz um bebê no sábado (9), em João Pessoa, teria sido negligente com a saúde da filha ao não levar a menina para exames médicos, informou o promotor da Infância e Juventude Alley Borges Escorel, nesta quarta-feira (13). Conforme o Ministério Público, uma enfermeira detectou possíveis indícios de abuso sexual cinco meses antes da gravidez ser descoberta. O suspeito de estuprar a criança é o padrasto dela, que segue foragido.
De acordo com o promotor, em janeiro uma enfermeira do Posto de Saúde da Família (PSF) do bairro do Grotão, em João Pessoa, identificou que a menina apresentava um corrimento. “A mãe dela foi orientada a levar a filha para o Hospital Frei Damião, que é o hospital de referência para estes casos, só que ela não o fez”, disse Escorel.
A suspeita de que a menina estava grávida também foi levantada pela mesma enfermeira, cinco meses depois. “Em maio, a mãe da menina teve uma criança e foi ao mesmo PSF para vacinar. Foi então que a enfermeira, de forma inteligente, lembrou do outro caso e resolveu checar, identificando que a mãe não tinha levado a criança para o hospital. Foi aí que ela chamou a médica, juntas fizeram a análise e identificaram que ela estava grávida”, contou o promotor.
Criança de 11 anos e bebê foram liberados do hospital e voltaram para casa de acolhida em João Pessoa.

Por causa da negligência inicial e também pela falta de cuidado com a menina durante a gravidez - uma vez que a criança não fez o pré-natal e ainda fazia trabalhos domésticos - a promotora Carmem Eleonora, que estava substituindo Alley Escorel durante as férias, resolveu, em julho, entrar com uma ação de suspensão do poder familiar, solicitando que a mãe perdesse a guarda da menina até o esclarecimento dos fatos. Enquanto a decisão judicial não sai, a criança segue acolhida em um abrigo.
O padrasto da menina fugiu assim que a gravidez dela foi revelada. De acordo com o promotor, havia receio de que o suspeito do crime voltasse para casa e fizesse algo com a enteada. “A própria comunidade falava que existia o risco de ele voltar. E ninguém tinha confiança de que a mãe iria garantir a segurança da menina. Ela [a criança] tinha um receio muito grande,sofria de insônia, de terror noturno, tinha medo de, a qualquer momento, ele [o padrasto] voltar para casa”, comentou Escorel.
Tanto a menina quanto o bebê passam bem depois do parto, considerado de risco, e já receberam alta médica.

Relembre o caso
De acordo com processo que segue sob segredo de justiça na Vara da Infância e Juventude, a menina foi estuprada pelo padrasto quando tinha 10 anos.

A criança descobriu a gravidez quando passou mal e foi levada para um hospital, de acordo com delegada Joana D'arc Sampaio, que investiga o caso. A menina informou à polícia que a violência sexual era algo recorrente, mas não soube precisar quando teve início. De acordo com Joana D’arc, as investigações começaram em maio e o inquérito já foi concluído. O padrasto da menina segue foragido.
Conforme as investigações, a mãe da menina não vai ser responsabilizada pelo crime. “Ela não teve participação, não sabia o que aconteceu, então não houve conivência. Ela só não teve cuidado”, comentou Joana.



G1
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