Variação no preço de combustíveis pode interromper produção de etanol no Nordeste

A produção de etanol no Nordeste corre o risco de ser interrompida após o fim da próxima safra, que se inicia em agosto. Segundo o Fórum Nacional Sucro energético (FNS), a ameaça é consequência direta da importação de etanol dos Estados Unidos e da política de variação de preços da gasolina e do diesel praticada pela Petrobras. Sem conseguir ocupar o mercado nacional, os produtores brasileiros do combustível feito a partir da cana-de-açúcar – principalmente os do Nordeste – podem precisar interromper a produção. 

A importação do etanol de milho americano vem crescendo desde 2013, quando a taxação de 20% deixou de ser cobrada. Em 2015, entraram no país 519 milhões de litros. De janeiro a maio deste ano já foram 1,08 bilhão de litros e, desse total, 80% ficou no Nordeste.

“As perdas na indústria brasileira estão sendo estimadas em R$ 2 bilhões em razão das importações oportunistas e dos subsídios financeiros destinados a expansão das exportações americanas. Os excedentes de produção de milho e de etanol alcançam nos Estados Unidos mais de 4 bilhões de litros. As importações americanas para o Brasil representam 25% do volume exportado, o dobro da produção do Nordeste. Recentemente houve elevação do imposto de importação na China para 30%, nada justifica para o governo brasileiro continuar mantendo alíquota do imposto de importação em zero”, declarou o presidente executivo Edmundo Barbosa, da Sindalcool-PB.

Para tentar evitar um cenário mais drástico de interrupção da produção, os produtores de etanol do Brasil se reuniram nessa terça-feira (25) com o ministro de Minas e Energia, Fernando Filho. A intenção foi sentir o apoio do governo para o andamento de uma Medida Provisória que volte a aplicar uma taxa sobre o etanol americano e de uma política de previsibilidade de preços do combustível, para reduzir os impactos negativos sobre o etanol da variação mais constante da gasolina. Seguindo um estudo realizado pelo Ministério da Agricultura, o combustível americano concorrente entraria no país com uma taxa de 17%.

Os dados atualizados indicam importações 406% maiores no primeiro trimestre de 2017. “O imposto de importação é um imposto regulatório, contudo, no atual momento a renúncia de receita desse imposto agrava as dificuldades para o fechamento de contas públicas e destrói a indústria brasileira de fabricação do Etanol”, afirma Edmundo Barbosa.

No acumulado janeiro - maio de 2017, as importações de anidro já somam US$ 542.560.292,00, de acordo com os dados do MDIC.  A renúncia de receita em imposto de importação pelo governo federal é da ordem de US$ 118.020.653,17, ou equivalente a R$ 375.305.677,08 apenas nestes primeiros cinco meses de 2017. Este resultado é 45,7% superior ao somatório dos 12 meses do ano anterior. Números absurdos que causam erosão na capacidade de produção brasileira, com desemprego e perda de capacidade produtiva.

Secom
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