Mãe que deixou bebê em sacola pode ter distúrbios psicológicos; ela explica o caso

Uma mulher de 25 anos, com problemas mentais, que se trancou em seu quarto por meses e que fazia as necessidades fisiológicas em uma bacia escondida embaixo de sua cama. Essa foi a descrição dada pela Polícia Civil sobre a mãe do recém-nascido abandonado no lixo em frente ao cemitério do bairro José Pinheiro, em Campina Grande. O caso aconteceu no sábado (23) e a criança foi encontrada por vizinhos. Comente no fim da matéria.

Segundo o delegado seccional de Campina Grande, Iasley Almeida, a mulher mora em uma casa com um primo, tem um filho de quatro anos de idade e não sabe quem é o pai do recém-nascido. Ela escondeu a gravidez e o nascimento do bebê da família com medo de ser expulsa de casa.

“Era uma pessoa limpa, mas nos últimos meses, com medo da família colocá-la pra fora de casa, passou a defecar e urinar em uma bacia e escondia embaixo da cama. Quando os familiares saíam de casa, ela aproveitava e limpava”, contou o delegado. A intenção era se manter reclusa no quarto para que não percebessem a barriga crescendo e Iasley afirmou que foi possível perceber um distúrbio mental, que poderia ter motivado o ato.

A mulher foi descoberta graças a desconfianças da família, que procurou a polícia para informar o que estava acontecendo. O delegado explicou que os parentes perceberam pequenos indícios que foram deixados na casa onde ela mora.

“Ela esteve na delegacia, muito abalada, com as ideias desconexas, mas confirmou que na madrugada do sábado, ela teria tido um parto normal em sua casa, saiu com a criança em um saco plástico preto e teria deixado no cemitério. Logo após retornou a sua casa, limpou os pingos de sangue que escorriam dela após o parto para esconder que ela tinha dado luz a um filho”, detalhou.

A mulher fez o parto sozinha. Ela contou em depoimento que sentiu muitas dores da quinta para o sábado e que o primo percebeu os seus gemidos. Ela disse que, no sábado, estava em pé, quando a criança desceu pelo canal vaginal e o cordão umbilical segurou para a criança não ter o impacto no chão, mas na pressão, o cordão arrebentou.

Segundo o delegado, a mãe demonstrou arrependimento. Os familiares foram orientados a procurar um apoio psicológico pra ela, mas demonstraram interesse em cuidar da criança e que se soubessem, teriam dado todo apoio.

A identidade da mulher foi mantida em sigilo para não haver represálias dos vizinhos que estão abalados com o acontecimento. Ela será indiciada pelo crime de abandono de recém-nascido, tipificado no Código Penal, e tem pena de reclusão de seis meses a um ano, mas a polícia não descarta a possibilidade de indiciar também por tentativa de infanticídio, cuja pena é de detenção de dois a seis anos.

Contudo, a PC não vê a intenção de matar o próprio filho. “Ela demonstrou que foi uma ação imediata. Como o cemitério fica próximo a casa dela, ela pensou em deixar em um local mais ermo. Ela não teve qualquer planejamento prévio a respeito de ‘quando eu parir, eu vou jogar essa criança fora, eu vou mata-la’”, falou o delegado.

As pessoas que ajudaram o bebê também não sabem quem é a mãe. A dona de casa, Maria Zilda Moura, cuidou da criança enquanto esperava a polícia a ajuda médica. “Eu passei o dia inteiro na minha casa e para onde eu olhava, eu estava vendo a criança, aquela imagem na minha frente. Só Jesus para ajudar, porque não é todo mundo que aguenta. Aquela criança, embaixo de chuva, naquela situação”, comentou emocionada.

Para Zilda, manter o menino vivo foi um milagre de Jesus. “Deus tem um plano na vida dele e eu creio que Ele vai dar alguém que tenha responsabilidade para criar essa criança”, completou a dona de casa.

Portal Correio
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