JOÃO PESSOA TEM 170 PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA

A cidade de João Pessoa tem 170 pessoas em situação de rua, segundo estimativas da coordenação do Serviço Especializado em Abordagem Social (Ruartes), programa ligado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Sedes). O número reforça a necessidade de mais instrumentos que promovam a cidadania e a reintegração dessas pessoas à sociedade.

As regiões do Centro, Varadouro e Tambaú são as que mais possuem pessoas vivendo nas ruas, entretanto a zona sul da cidade, devido ao seu desenvolvimento, tem registrado altos índices de pessoas nesta situação, destaca a coordenadora do Ruartes, Maria do Amparo dos Santos.

“O bairro dos Bancários tem nos demonstrado um fenômeno novo: muita gente em situação de rua está migrando para a Zona Sul. Hoje o maior número de chamadas que recebemos vem dessa região. Em média são quatro chamadas diárias de pessoas em situação de rua lá no bairro”, disse a coordenadora do Ruartes.

O Centro da cidade é a região com maior número de moradores de rua. Em geral, são pessoas que mudam de sua cidade natal em busca de novas oportunidades de vida, mas chegando a João Pessoa acabam encontrando outra realidade. É o caso de Maria de Nazaré, que dez anos atrás veio do município de Esperança para João Pessoa em busca da família.

Hoje ela vive numa calçada na Rua João Amorim, no bairro de Jaguaribe, juntando dinheiro para encontrar os familiares em Pernambuco. “Vou para Recife, encontrar minhas filhas. Eu moro na rua faz tempo. Antes morava em Cruz das Armas, mas lá era difícil conseguir comida e dinheiro. No Centro é mais fácil, o povo ajuda mais”.

Em época de chuva, como no mês de julho, ela se protege com objetos doados pela população. “Às vezes eu abro o guarda-chuva que me deram e deito na calçada. Se tiver muito forte eu vou para baixo da coberta de alguma casa ou loja”, relatou Maria de Nazaré, que afirmou também não querer fazer parte de nenhum programa de acolhimento da Prefeitura Municipal. Lojistas da região disseram que semana passada a  senhora passou mal duas vezes e precisou ser atendida pelas equipes de urgência do Samu.

De acordo com a coordenadora do Ruarte, Maria do Amparo dos Santos, um dos problemas para cuidar das pessoas em situação de rua é que, como Maria de Nazaré, nem todos querem ser atendidos. “Nós não podemos obrigá-los. As equipes fazem a visita, tenta reintegrar essas pessoas às famílias, dar assistência de saúde e das casas de acolhimento, mas muitos recusam e não podemos fazer nada”, disse.

JP tem duas casas de acolhimento 

João Pessoa possui dois Centros de Referência para acolhimento das pessoas em situação de rua. A Casa de Acolhimento Adulto I, localizada no Bairro dos Estados, e Casa de Acolhimento Adulto II, localizada no bairro de Jaguaribe, cada uma com capacidade para 30 acolhidos. As casas abrigam, dão refeição e auxiliam na retirada de documentos pessoais perdidos.

Segundo informações da coordenadoria do Serviço Especializado em Abordagem Social (Ruartes), ambos espaços estão na sua capacidade máxima. Eles atendem 24 horas por dia, podendo o interno ficar até 6 meses morando no local. Na próxima segunda-feira será inaugurada uma terceira casa de acolhimento, no bairro Portal do Sol, com capacidade para 20 acolhidos. O foco deste novo espaço serão dependentes químicos.

Marcones Pereira da Silva está interno na Casa de Acolhida Adulto II há três meses. Nasceu no Ceará, onde trabalhou como guia de turismo e tradutor de espanhol e italiano. Saiu de lá após problemas financeiros e, por vergonha de parecer fracassado aos familiares e amigos, mudou-se para o Piauí. Já morou no Amazonas, Rio Grande do Norte e está na Paraíba há seis meses. Além do abrigo, na Casa de Acolhida ele tenta regularizar seus documentos para conseguir uma nova chance na vida.

“Muita gente acha que quem está na rua é vagabundo, não quer nada com a vida. Mas a grande maioria tem uma história, está ali porque não consegue outras oportunidades. Eu quero voltar para minha família, mas antes eu preciso organizar minha vida, conseguir um emprego. Só sabe o que é viver na rua quem já morou nela e eu quero outra vida para mim”, disse.

Outro espaço administrado pela prefeitura, chamado CentroPOP, tem capacidade para 40 pessoas e funciona durante o dia, das 8h às 17h, realizando trabalhos de higienização e alimentação. No período da noite, as pessoas retornam às ruas. O coordenador do espaço, José Marcelo dos Anjos, destaca que é preciso mais instrumentos que atendam pessoas nessa situação.

“Nossa capacidade de acolhimento é de 40 pessoas. Temos capacidade para oferecer 40 almoços por dia, mas a demanda é tão alta que estamos servindo em média 50 almoços. A demanda extrapola nossa capacidade de acolhimento”, disse o coordenador do CentroPOP.

Correio da Paraiba
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