Aparelho auditivo ajuda paraibanos que têm deficiência auditiva parcial

Mais de 230 mil pessoas têm algum tipo de deficiência auditiva na Paraíba, segundo dados do Censo Demográfico 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número equivale a 6,11% da população total do estado. Para quem tem uma deficiência parcial, o uso do aparelho auditivo pode ser muito útil para dar mais nitidez ao som, melhorar a comunicação e para desenvolver a habilidade da fala, por exemplo, em crianças.
Do total de pessoas com deficiência auditiva no estado, 6.470 não conseguem ouvir de modo algum. Porém, 223.670 ainda escutam parcialmente, com alguma ou grande dificuldade, e podem ser beneficiadas com o uso da prótese.

O servidor público Odilon Andrade é usuário de prótese auditiva e considera que o equipamento ajuda muito. Ele tem uma perda auditiva severa no ouvido esquerdo e média, no direito. Com histórico familiar, ele teve perda auditiva no ouvido esquerdo desde a infância. Há cerca de quatro anos, a situação piorou quando ele desenvolveu a Síndrome de Meniére, que pode afetar severamente a audição no lado em que ela se manifesta.
“O aparelho auditivo amplifica mais o som, dá mais nitidez. Pelo menos no meu caso. Ele ainda desacelera o aumento da perda pois evita que você use televisão, música e outros aparelhos mais altos”, comentou.
Foi quando o ouvido direito, lado onde ele possui a síndrome, começou a ser mais afetado que ele procurou ajuda médica. Após fazer todos os exames, o médico recomendou o uso do aparelho e indicou o melhor tipo para o problema de Odilon. Ele conseguiu o equipamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com um ano de espera.
“Até que foi fácil. No Hospital Edson Ramalho, a gente faz a consulta e os exames. Então eles solicitam o aparelho de acordo com a perda. Ele é um aparelho mais simples, mas me atende, apesar de não ter testado outros”, comentou. “Segundo alguns pacientes lá no Edson Ramalho, eu recebi até rápido, pois antes era cinco anos para chegar”, disse.

Tratamento público
O Hospital Edson Ramalho conta com o Serviço de Reabilitação Auditiva, que é credenciado ao SUS e oferece ao usuário a possibilidade de receber um aparelho auditivo gratuitamente. O coordenador do serviço, o otorrinolaringologista Islan Nascimento, explicou que todos os exames para diagnóstico são feitos no próprio hospital. São esses exames que vão determinar se o paciente está dentro dos critérios estipulados pelo SUS e, com isso, vai poder adquirir a prótese.
O serviço ainda disponibiliza um acompanhamento a longo prazo, para examinar como está o funcionamento do aparelho e verificar se é preciso mudar o equipamento. “Temos um setor com fonoaudiólogos e psicopedagogos, que acompanha as crianças dentro da escola, para ver como está o resultado na sala de aula, a capacidade de aprendizagem dela com o aparelho”, explicou.
Os pacientes também contam com o apoio de uma equipe de psicólogos para o acolhimento dos usuários e seus familiares, um serviço de assistência social, terapia de reabilitação da fala, médicos otorrinolaringologistas que diagnosticam as doenças dos ouvidos, nariz e garganta e fonoaudiólogos que, além de realizarem todos os exames auditivos, adaptam os aparelhos auditivos para cada tipo de perda auditiva e orientam os usuários.

Tecnologia é aliada
As pessoas que sofrem com a perda auditiva podem ter a tecnologia como aliada. Segundo a fonoaudióloga da rede Menthel, Nathália Lins, ela ajuda na adaptação do paciente, devido à nitidez do som. “Quando a gente pensa em aparelho auditivo, a gente lembra daqueles aparelhos enormes, com som muito distorcido. Mas esses aparelhos auditivos novos têm um grande diferencial, a qualidade sonora”, informou.
Vários recursos ajudam para aperfeiçoar a audição do usuário da prótese. “A gente tem um recurso que o próprio aparelho, automaticamente, vai se adaptando aos ambientes que o paciente está entrando. Então, se ele está em um ambiente mais ruidoso, o aparelho consegue se adaptar àquele ambiente, diminuir o ruído do ambiente e focar na fala. Para pessoas que gostam de música, a gente já consegue ter tecnologia pra que esse som seja mais limpo, mais apurado”, descreveu a fonoaudióloga.
Nathália explicou que, apesar da perda auditiva ser um problema irreversível, o uso do aparelho ajuda a diminuir ou estagnar a progressão dela. Isso acontece por causa do estímulo cognitivo, segundo ela. E quanto melhor ficar a qualidade da audição do paciente, menor é a tendência de progressão da perda.
“O próprio uso do aparelho auditivo, ele traz uma plasticidade neural. Ele faz com que os neurônios sejam relocados, dando estímulo e fazendo com que aquilo ali não progrida, não piore na velocidade que seria se você não usasse. Por isso que é importante você usar o aparelho desde o começo que é detectada a perda, porque se você espera muito, piora e traz muita consequência para a qualidade de vida”, esclareceu.

Fonte:G1
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