Passageiros do Uber em João Pessoa dizem ter sido perseguidos por táxis

Três passageiros que realizaram uma corrida pelo aplicativo Uber em João Pessoa relataram ter sido perseguidos por taxistas na madrugada desta segunda-feira (26), cinco dias após o serviço começar a funcionar no município. De acordo com o motorista que realizou a corrida, os taxistas teriam trancado o carro com o objetivo de intimidar as pessoas.
O sindicato dos taxistas e a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob) afirmaram ao G1 que foi um caso isolado.
Segundo uma das vítimas, a perseguição aconteceu por volta da meia noite, no bairro do Bessa. “A gente estava em um bar e resolveu ir para casa. Chamamos o Uber e quando ele chegou, entramos no carro, conversamos um pouco com o motorista e saímos. Ele saiu do trecho onde estávamos e fez o retorno para voltar em direção ao Centro. Estava tudo bem, até que a gente percebeu que tinha três carros nos seguindo”, disse a passageira Larissa Barbosa.
Segundo o motorista da corrida, Ubirajara Castro, que começou a correr pelo Uber no sábado (24), os táxis já estavam na rua onde a corrida começou antes do veículo sair. "Eu vi que tinham táxis na rua, mas não imaginei que fosse acontecer isso. Eu seguia pela via quando um dos táxis me passou e freou de vez, com a intenção de que eu batesse. Eu consegui desviar, mas então apareceu outro carro e os dois ficaram reduzindo na minha frente”, contou.

Ainda de acordo com Castro, os passageiros começaram a ficar nervosos e ele tentou acalmar a situação. “Eu disse a eles que se acalmassem e desviei o caminho. Os taxistas deram ré e recomeçaram a perseguição, até que chegou num ponto onde eles pararam lateralmente e fecharam a rua. Nesse momento eu baixei o vidro e perguntei o que eles queriam e eles disseram que não deixariam a gente passar para canto nenhum. Eles não me ameaçaram, mas me intimidaram, queriam causar medo”, disse.
Segundo Larissa, a polícia chegou a ser acionada e eles recomendaram para esperar em um shopping que fica no bairro, até a chegada dos policiais. “Como o local estava escuro e fechado, achamos perigoso e foi quando o motorista nos sugeriu ir até a casa dele e fingir que nós éramos amigos, e não uma carona pelo aplicativo. Foi a solução que chegamos”, explicou.
Ubirajara Castro conta que parou no apartamento e disse aos taxistas que ia entrar em casa. “Entrei na garagem, pedi para os passageiros aguardarem, desci do carro e fui até os taxistas para tentar conversar. Após um tempo eles foram embora e foi quando consegui acalmar as pessoas e terminar a corrida”, completa.
Outro passageiro, que preferiu não se identificar, contou que nunca acreditou que isso fosse acontecer. “A gente vê estas situações em outros estados mas não acredita que vai nos atingir. Foi muito tenso, uma situação complicada. Eles fecharam a gente, de madrugada, a gente espera logo o pior. Tivemos que ir para a casa de um estranho, e ele confiar em outros três estranhos, para se livrar de uma perseguição por taxistas”, comenta.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários, Taxistas, Caminhoneiros e Condutores Auxiliares de João Pessoa (Sindtáxi), Adauto Braz, a situação foi um caso isolado e o órgão vai investigar o caso. “Nós tivemos várias reuniões com a classe e a orientação que passamos nestas situações é para que os taxistas não façam nenhuma atitude agressiva nem nada por conta própria. Estas situações de violência e protesto que fazem em outros estados prejudicam a população e também a nossa classe. Não recebemos nenhuma denúncia sobre esse caso em particular, mas foi isolado e vamos investigar, tentar identificar os motoristas envolvidos e chamar para conversar, já que a nossa orientação é para não fazer isso”, esclarece.
Ainda segundo Braz, há uma lei municipal que proíbe o Uber na capital paraibana, mas não é responsabilidade dos taxistas fazer o cumprimento da lei. “Quem tem que lidar com esta questão, com a regularização, é a Semob, e não os taxistas”, diz.
O superintendente da Semob, Carlos Batinga, por sua vez, diz que o órgão está de prontidão para resolver qualquer situação. “Se nós formos chamados pelos motoristas, nós vamos discutir qualquer assunto. Lamento esta atitude dos taxistas, este enfrentamento, acredito que foi um fato isolado e espero que isso não volte a ocorrer”, disse.
O motorista do Uber informou, por volta das 11h30, que entrou em contato com o suporte jurídico do aplicativo, que o orientou a fazer um boletim de ocorrência na Polícia Civil.
Proibição em João Pessoa
Há cerca de um ano, a Câmara Municipal de João Pessoa aprovou uma Lei Municipal que proibia o uso do aplicativo na cidade. Sobre esse problema, a gerente de Comunicação da Uber no Brasil, Leticia Mazon, explicou que o aplicativo opera em todo o Brasil com base na Lei Federal que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU). “Essa Lei Federal coloca dois tipos de transporte individual: o transporte individual público, que só os táxis podem fazer, e o transporte individual privado. Dentro dessa categoria, nunca se viu a necessidade de criar uma regulamentação federal, mas a categoria de serviços está prevista na PNMU”, garantiu.
O superintendente da Semob explica que a lei da mobilidade dá apenas diretrizes. “Ela deixa claro as atribuições e competências dos entes federativos. O transporte é atribuição do município. Se há a lei, nós vamos cumprir”, diz Batinga. A prefeitura anunciou que os motoristas que realizassem corrida pelo aplicativo, caso flagrados, seriam multados. Dois dias depois de começar o serviço na cidade, um motorista foi multado e teve o veículo apreendido em uma fiscalização.

Fonte:G1
Compartilha via Whatsapp

Sobre Hugo Freitas

O AGORAPB O SEU PORTAL DE NOTÍCIAS
    Comentário via Blogger
    Comentário via facebook

0 comentários:

Postar um comentário

Os leitores que quiserem fazer algum comentário, devem estar logados no facebook, clicar em Like e escrever na caixa de texto que se abrirá automaticamente.