Moradores do bairro de Manaíra reclamam da falta de segurança

“Eu me sinto um nada. Tenho receio de tudo e de todos. Não ando com carteira e estou sempre atenta por onde vou”. Este é o sentimento de uma moradora do bairro de Manaíra, na cidade de João Pessoa. Ela já foi assaltada na orla do bairro, dentro do próprio carro. O relato da corretora de seguros, de 23 anos, que não quis se identificar por medo de ficar marcada por assaltantes é apenas um dos que acontecem diariamente em João Pessoa.
Era por volta das 20h30 numa segunda-feira de janeiro quando ela estacionou o carro em frente a um shopping na orla do bairro de Manaíra, em João Pessoa. Ela parou seu carro e, antes de tirar o cinto de segurança, um homem abriu a porta do veículo e roubou celular e dinheiro. “Ele fechou a porta do carro e saiu andando como se nada tivesse acontecido. Eu fiquei no carro durante uns dez minutos em choque”, contou.

De acordo com a Polícia Militar, as ações para evitar esse tipo de acontecimento são feitas diariamente através de abordagens a pessoas e ônibus, montagem de barreiras policiais e blitz, com policiamento em viaturas e motocicletas.
No entanto, os moradores de Manaíra dizem sentir falta do efetivo policial no bairro. “Vejo pouco policiamento, há um posto da Polícia Militar perto do shopping, mas depois das 20h não vemos mais ninguém”, relatou outra moradora de 48 anos que também não quis se identificar.
Os relatos tornaram-se corriqueiros e os moradores do bairro de Manaíra relatam viver em “cárcere privado”, monitorados pela rotina de assaltos que, segundo eles, têm acontecido no bairro com frequência.
“Eu fico numa situação constrangedora. Ficamos dentro de casa, amedrontados, enquanto os ladrões estão na rua. Como posso ter o direito de ir e vir se os assaltantes estão furtando o nosso direito? Sou coagida a ficar dentro de casa”, lamentou uma moradora de Manaíra, de 48 anos, funcionária pública aposentada.
“Sabemos até quem são os assaltantes”, disse moradora
O relato dos moradores é de que os assaltos acontecem quase diariamente, a maioria na orla de Manaíra. Eles já identificaram, inclusive, um dos suspeitos que já realizou mais de um assalto. Outra moradora de Manaíra, uma advogada de 23 anos, disse que já ouviu relatos de ciclistas, pessoas que passeiam com cachorros e também caminhantes. “Nós já presenciamos vários assaltos e a pessoa que suspeitamos está sempre no bairro”, relatou.
Vários moradores de Manaíra fazem parte de um grupo no WhatsApp chamado “acãochego”, que reúne mais de 170 pessoas que passeiam com seus cachorros na calçadinha de João Pessoa. No grupo, os relatos são frequentes e acabam regulando os horários de passeios, para evitar alguma surpresa ruim. “Ando sem aliança e tiro os brincos. Tenho medo”, confessou a funcionária pública. Ela revela que tem medo de passear com a cadela, com receio de também roubarem o animal.
É uma sensação de impotência, nós sabemos a pessoa que faz esses assaltos, turistas já foram vítimas e estamos cada vez mais presas e os bandidos cada vez mais soltos"
Moradora do bairro de Manaíra
Em março, os administradores do grupo “acãochego” realizaram uma manifestação em prol do direito de ir e vir e pedindo mais segurança para o bairro. “É uma sensação de impotência, nós sabemos quem é a pessoa que faz esses assaltos. Turistas já foram vítimas e estamos cada vez mais presas e os bandidos cada vez mais soltos”, relatou uma das moradoras.
Para mudar essa situação, os moradores apostam no investimento em uma fiscalização diária pelo policiais militares, em bicicletas e motos, 24 horas por dia. “Se tivesse mais policiamento na orla, talvez os assaltantes ficassem mais inibidos”, comentou moradora. “Acredito que deveria existir câmeras de segurança na orla de Manaíra, policiamento mais frequente e abordagem”, acrescentou.
De acordo com a Polícia Militar, as informações de cada localidade são levadas em conta na hora da distribuição o efetivo policial. “A distribuição se dá com base nos levantamentos estatísticos e na delimitação da mancha criminal”, informou a assessoria da PM.
Ação preventiva
No primeiro semestre de 2016 foram realizadas 124 prisões de suspeitos de roubos e furtos em João Pessoa, segundo o superintendente regional da Polícia Civil, delegado Marcos Paulo. Ele explica que o trabalho requer uma ligação entre as áreas da cidade, mas que os casos estão sendo investigados.
Segundo Marcos Paulo, o papel da Polícia Civil diante desse cenário é prevenir as ações. “O trabalho tem sido feito, a polícia vem trabalhando exaustivamente. Apesar de muitos criminosos serem do bairro São José, muitas prisões acontecem na Zona Sul e repercutem também na Zona Norte”, disse.
Os relatos de assaltos que foram notificados, de acordo com Marcos Paulo, estão sendo investigados. No entanto, a Polícia Civil tem encontrado dificuldade na identificação dos suspeitos e no registro dos boletins de ocorrência, já que muitos ainda preferem não registrar por medo de serem identificados.
“Existe uma contribuição anônima da população, eles ajudam, mas não é determinante, porque ninguém pode ser preso sem provas, as pessoas têm medo de testemunhar, muitas pessoas não registram a ocorrência ou não fazem o processo de reconhecimento dos criminosos”, ressaltou Marcos Paulo.
O superintendente ainda destacou que o problema da violência e insegurança não se resolve apenas com ação policial. “Precisamos também de política públicas e da própria sociedade para contribuir com as informações”, frisou. Chamou atenção ainda para a educação como papel primordial para a resolução do problema.

Fonte:G1
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