'Eles sujaram as mãos com sangue de um anjo', afirma mãe de médico

“Eu quero apenas olhar para eles e dizer: que pena que vocês sujaram as mãos. Talvez, Deus perdoe, pois vocês sujaram as mãos com o sangue de um anjo, que com certeza esta no céu neste momento” As frases contundentes são da advogada aposentada Maria Evanir Pereira, mãe do médico Artur Eugênio Pereira, assassinado em 2014.
Ela e o pai de Artur, o engenheiro mecânico Alvino Luís, acompanharam, desde o início da manhã desta quarta-feira (14), no Fórum de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, a abertura do julgamento de dois dos cinco acusados de cometer o crime. Com camisas estampadas com a foto do filho, o casal estava bastante confiante na decisão do júri popular, que começou por volta das 9h e terminou adiado para o próximo dia 21. 
Nas camisetas, uma frase evidenciava o sentimento da família da vítima: 'A inveja o levou de nós!'.  Para a mãe de Artur, são momentos bastante complicfados. “Além da dor e do sofrimento, tenho o sentimento de expectativa. Vim com muita força, muita coragem e muita fé, pois acredito nesta justiça de homens e mulheres de bem”, afirmou Maria Evanir.
Serão julgado os réus Cláudio Amaro Gomes Júnior e Lyferson Barbosa da Silva. O júri será presidido pela juíza Inês Maria de Albuquerque Alves, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Jaboatão dos Guararapes.
Para a mãe do médico, será difícil ficar frente a frente com os acusados do assassinato, pela primeira vez. Ela afirmou ter fé e descartou ter rancor. ”Acredito que posso ter misericórdia dessas criaturas, que são tão pequenas”, disparou.
O pai de Artur Eugênio, Alvino Luís, falou sobre a expectativa de penas impostas pela Justiça. Para ele, o mandante do crime, o cirturgião Cláudio Amaro Gomes, que está preso, deve ter punição mais rigorosa. "Se eles pegarem 15, 20, 30 anos de prisão, o mandante tem que pegar o dobro", afirmou.
O engenheiro explicou a ideia de punição mais rigorosa para quem planejou o assassinato do filho: "Ele foi um grande arquiteto do mal, diabólico. Eu sei que homens de bem ficam com Deus e homens do mal ficam com o diabo. Ele está com o diabo e, por isso,fez isso", sentenciou.
A viúva de Artur, Carla Azevedo, participará do julgamento como testemunha e, por isso, não teve autorização para dar entrevistas. O advogado da família, Daniel Lima, afirmou que acredita nas provas técnicas reunidas contra os acusados. "Estamos aqui não para fazer vingança, mas para fazer justiça", declarou.
Para a promotora Dalva Cabral, esse foi um processo longo. Todos adotaram cautela e cuidado. "A prova é límpida, clara. Eles são culpados e o que se espera é que seja feita justiça", afirmou. Segundo ela, Artur veio trabalhar no Recife a partir de um convite de um dos suspeitos. "Isso choca", declarou.
Defesa
O advogado de defesa de Lyferson, Ricardo Bezerra de Menezes, afirmou que não há indícios da participação do cliente. "Vamos provar isso",assegurou. Os advogados de Cládio Júniror apresentaram pedidos para adiamento do julgamento. A juíza informou que avaliaria as petições.
O júri
Ao todo, serão ouvidas sete testemunhas. Duas foram arroladas pelo Ministério Público de Pernambuco, uma pelo assistente de acusação e quatro pela defesa. Há, ainda, três peritos. Está prevista a exibição em vídeo do depoimento de 24 testemunhas, requisitadas pelo MPPE e pelo assistente de acusação, e ouvidas durante as audiências de instrução, em 2014.

No início do júri, haverá a escolha de sete jurados, dentre os 25 convocados, e o depoimento das testemunhas de acusação, de defesa e de três peritos. Em seguida, será exibia a mídia com o depoimento das 24 testemunhas de acusação. Posteriormente, os réus serão interrogados.
O caso
O médico Artur Eugênio foi assassinado a tiros, em 12 de maio de 2014. A polícia concluiu que o mandante do crime foi um colega de trabalho, o cirurgião Cláudio Gomes, que contou com a ajuda do filho, Cláudio Amaro Gomes Júnior, para executar o plano.
O cirurgião responderá por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e sem possibilidade de defesa da vítima. Já o filho dele vai responder pelo mesmo crime, além de furto qualificado e dano qualificado, pelo uso de substância inflamável.
Cláudio Júnior, por sua vez, teria chamado Jailson Duarte César para contratar os homens que cometeriam o assassinato: Lyferson Barbosa da Silva e Flávio Braz de Souza. Jailson e Lyferson também responderão por homicídio duplamente qualificado, além do crime de dano qualificado. Flávio foi morto em uma troca de tiros com a Polícia Militar, em fevereiro de 2015. Cláudio, Cláudio Júnior, Jailson e Lyferson estão presos.
A juíza Inês Maria de Albuquerque Alves decidiu pela realização do júri popular, em agosto de 2015. A decisão foi tomada a partir dos laudos periciais e das audiências de instrução e julgamento, realizadas entre 14 de outubro de 2014 e 10 de junho de 2015. Ao todo, foram ouvidas cerca de 60 testemunhas, além dos quatro réus.
Detalhes
O médico Cláudio Gomes e o filho foram acusados de planejar a morte do cirurgião Artur Eugênio de Azevedo, que foi arrastado por dois homens na entrada do prédio onde morava, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, na noite de 12 de maio de 2014. O corpo dele foi encontrado no dia seguinte, com marcas de tiro, às margens da rodovia BR-101, em Jaboatão dos Guararapes.
O carro da vítima foi queimado e abandonado no bairro da Guabiraba, Zona Norte do Recife. As investigações apontam que Cláudio Gomes e Artur, que já trabalharam juntos, tinham divergências profissionais, o que teria motivado o crime.
Artur era paraibano e atuava no Hospital de Câncer de Pernambuco, Hospital das Clínicas, Imip e Português. Ele tinha família em Campina Grande e era formado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O médico era benquisto e descrito como uma pessoa calma - o corpo dele foi enterrado no dia 15 de maio de 2014, em Campina Grande.

Fonte:G1
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