As várias faces da nova temporada de manifestações


Como os movimentos ligados ao PT, que perderam privilégios após o impeachment de Dilma, promovem protestos violentos, distorcem a realidade e manipulam parte da juventude com reivindicações – como “Diretas Já”, por exemplo – que não encontram respaldo na Constituição

Logo depois de confirmado o impeachment de Dilma, políticos experientes que participaram da transição feita por Itamar Franco após o afastamento de Fernando Collor procuraram o presidente Michel Temer e o alertaram. Disseram que os brasileiros iriam torcer para que seu governo desse certo, porque isso serviria aos interesses do Brasil. Mas afirmaram também que os petistas tentariam inviabilizar o governo – porque isso interessa ao PT. 

Nos últimos dias, essa previsão foi confirmada. Uma nova temporada de protestos organizados por movimentos ligados ao PT tomou as ruas de diversas capitais brasileiras, sobretudo São Paulo. Em sociedades democráticas como a brasileira, o direito à manifestação deve ser respeitado e cabe aos governantes dialogar com as forças políticas. No entanto, o que se vê agora é algo diferente. Os protestos são movidos por grupos que têm o objetivo de inviabilizar o governo, como foi dito textualmente por vários líderes após o afastamento de Dilma Rousseff. Buscam apenas tumultar e defender os interesses privados do grupo que foi defenestrado do poder e que erigiu, nos últimos 13 anos, a maior rede de corrupção da história do País.

É legítimo e desejável que os jovens participem da vida política nacional, mas o que se viu nas últimas manifestações foi, além de uma alarmante escalada de violência, uma confusão ideológica preocupante. Arvorados nos slogans “Fora Temer” e “Diretas Já”, simpatizantes que se auto-declaram de “esquerda” foram protestar contra o novo governo. Muitos certamente tiveram motivações nobres – o desejo genuíno de lutar por uma sociedade melhor –, mas é inegável que um contingente numeroso pode estar sendo perversamente manipulado. Em vez de construírem algo positivo, eles apenas reforçam o discurso e as ambições de grupos que perderam privilégios, inclusive financeiros, com o fim da era petista.

O que mais se ouviu nas ruas foi o pedido de “Diretas Já”. Mas eleições gerais para presidente seriam mesmo possíveis neste momento? Não, e apenas por uma razão objetiva. Para que isso acontecesse, o presidente Michel Temer teria que renunciar, o que só traria mais caos e instabilidade para o País. Mesmo assim, as eleições deveriam ser realizadas até janeiro, prazo curto demais para se organizar um evento desta dimensão. 

Depois de janeiro, o pleito teria que ser, de acordo com a Constituição, indireto, o que significaria deixar o Brasil nas mãos de um dos piores Congressos de sua história. Outra solicitação popular, um plebiscito para trocar o chefe do Executivo, também seria uma medida inconstitucional. Isso, sim, seria um golpe, termo tão utilizado por Dilma Rousseff e pelos petistas, uma vez que não está amparado em nenhuma lei. 



Mas essas explicações ficam enevoadas na onda de fumaça das manifestações por interesse de grupos que não desejam a estabilidade buscada pelo atual governo. São as organizações próximas ao PT, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Sem Terra (MST) e o Movimento dos Sem Teto (MTST), que perderam com o impeachment a ajuda financeira que recebiam dos petistas. Como querem seus privilégios de volta, usam os protestos para fazer barulho e apostam na estratégia do “quanto pior, melhor.” 

“O PT e os movimentos sociais ligados ao partido são mais aguerridos historicamente e, por isso, seria impossível terminar esse impeachment sem esse tipo de ação”, diz Rodrigo Prando, professor de Sociologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Em meio a esse jogo de interesses, em que jovens se tornam massa de manobra, entra em cena a questão ideológica, que muitas vezes impulsiona os mais jovens. Que esquerda o Brasil tem hoje e está sendo defendida em avenidas e praças do País? 

A esquerda que fez um arco de coalizão capaz de se associar a nomes como Paulo Maluf (PP), José Sarney (PMDB) e Fernando Collor (PTB)? No século 21, não faz sentido o maniqueísmo entre esquerda e direita. O que se deve discutir hoje são questões concretas. Mas a lógica tortuosa dos petistas tenta convencer as pessoas de que o País está à beira de um regime de exceção, o que é tão absurdo quanto fantasioso. Em 1984, quando o movimento das Diretas conquistou o País, viviamos ainda uma ditadura. As manifestações eram o sinal de uma ruptura. Hoje qual seria a ruptura?

Os jovens mascarados que andam em grupo no meio dos protestos, quebrando vidraças e entrando em confronto com a polícia, raramente estão armados. Eles costumam usar objetos simples ou caseiros para atacar. Confira:

• Máscaras, capuz e roupa preta

• Material incendiário não explosivo feito em casa composto, por exemplo, de nitrato de potássio (substância controlada)

• Rojão

• Banana de dinamite, utilizada em pedreiras e demolições

• Pedras

• Extintores de incêndio

• Placas de trânsito

• Vergalhões de aço encontrados em canteiros de obras

Militância paga

O mais preocupante é que a ideologia enviesada está se espalhando por repartições públicas, universidades e até instituições privadas. Na semana passada, manifestantes impediram a entrada de clientes em uma agência bancária na capital paulista, devidamente uniformizados com camisetas de uma central sindical. 

Questionado, um deles confessou fazer parte do Movimento dos Sem Terra (MST) e receber R$ 50 por dia para promover a algazarra na porta. Os novos protestos também trouxeram de volta às ruas os jovens mascarados, denominados “black blocs”, que usam de violência, depredação do patrimônio e confronto com a polícia para atingir seus objetivos. O difícil é explicar quais são esses objetivos e a quem eles interessam. Certamente, não é assim que irá se pacificar o País.

Em meio a esse jogo de interesses, em que jovens se tornam massa de
manobra, entra em questão a ideologia. Que esquerda temos hoje?

Filha do cinegrafista Santiago Andrade, morto por black blocs em fevereiro de 2014 no Rio, Vanessa Andrade fala sobre a atuação dos mascarados

Com a nova onda de manifestações, os black blocs voltaram a agir. Como você lida com isso?
Esse grupo é uma minoria. Deveriam se envergonhar de ainda estarem em locais públicos causando arruaça e confusão.

Os Black Blocs dizem atacar apenas empresas ligadas ao governo e entram em confronto com a polícia.

A partir do momento em que a pessoa sai de casa com máscaras, bombas, pedras, o que eles chamam de defesa, mas eu chamo de ataque, já está assumindo o risco de matar. Eles não têm nenhuma preocupação com quem está na frente. Infelizmente, naquele dia foi a vida do meu pai. Ele foi apenas o primeiro. Eu como cidadã jamais confio em alguém que não posso olhar nos olhos.

Os black blocs que assassinaram Santiago de Andrade estão soltos. Você acha que isso pode influenciar aos adeptos a continuarem agindo nos protestos?

A decisão da Justiça tem que ser acatada, o que podemos fazer é recorrer. O fato do meu pai ter morrido, para eles, é parte do jogo. Eles não têm cuidado nenhum com a vida alheia.

Já faz um tempo que o Ministério Público recorreu dessa decisão.
Eu vou continuar firme nessa luta pela Justiça. Principalmente que esses dois voltem a responder como homicídio e não como bomba seguida de morte, porque, pra mim, esses dois são assassinos.
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