NADA MAIS FLUIDO QUE OS NOSSOS DIAS

Nossos dias estão fluidos. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é adepto da teoria de que a mídia, tecnologia e a vida corrida que o século XXI trouxe consigo são os responsáveis por toda a fluidez das relações. Denomina modernidade líquida o cotidiano ao qual estamos imersos em que as relações são frágeis, com pouco contato por causa da tecnologia que ao invés de aproximar afasta cada vez mais e da insana correria que vivenciamos em busca de algo que nem sabemos ao certo o que é.

A partir do pensamento deste sociólogo fica claro que estamos em uma teia de conflitos, corre-corre, ausência da presença física e com pouca ou nenhuma perspectiva de que tudo isso atenue com o passar do tempo. A chamada modernidade líquida como intitulada pelo teórico é a principal responsável por toda a ansiedade, depressão, angústia e inconformismo com a vida que levamos. Estamos à deriva e não sabemos para qual lado seguir. A todo momento há uma novidade que descontrói o que antes parecia sólido e importante. Seja o modismo do corpo ou a forte tendência a como moldá-lo levamos essa condição a tudo o que fazemos em nosso cotidiano, sempre prestando contas a uma sociedade, que curiosamente nunca conseguiremos numericamente dimensionar...

Investimos na educação e na preparação para o mercado de trabalho, investimos em nossa aparência e tudo isso não para sobreviver e se sentir bem respectivamente, mas como uma eterna prestação de contas a Deus sabe quem. As redes sociais que tinha como intuito aproximar pessoas parece ter a forte incumbência de separa-las cada vez mais.   Tudo é rápido até mesmo a comida com o surgimento dos ditos fast-foods. Sempre estamos apressados demais, se para mastigar quiça namorar! para isso existe tinder, feeling, badoo, infinitas redes de socialização para quem sabe frutificar um relacionamento. As baladinhas parecem ter se perdido nos anos 80 com seus enormes globos coloridos e dancinhas coreografadas. 

Ademais, a efemeridade tem sido a causa das mais variadas doenças e violações do nosso século. Tudo é sempre tão rápido e passageiro que não percebemos o quanto adoecemos em uma época em que tudo era para ser mais fácil e acessível. Violamos a nossa privacidade e criamos a forte tendência a ser dependente a tudo que nos cerca. O pai da química Antonie Lavoisier em meio a seus experimentos afirmava: “nada se cria, tudo se transforma”, parece que até a capacidade para transformar estamos perdendo em meio a mudanças que parecem estar sempre alheias a nós.


*Amanda Cristina Souza




*Amanda Cristina Souza é Bacharel em Serviço Social pela UFPB, Poetisa nas horas vagas e escreve para o www.agorapb.com.br aos domingos.



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