Marcador de livro de 1986 viaja país com história de amigos da Paraíba

De um sebo que funciona no Centro de Campina Grande, na Paraíba, um exemplar do livro 'Humildade, paixão e morte' viajou até chegar em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na casa da jornalista Carol Corso através de uma compra feita em um sebo virtual. Ao folhear a obra do escritor Davi Arrigucci, ela encontrou a assinatura do ex-proprietário do livro, que se identificava apenas como Wellington, com a data 'setembro de 1996'. Folhas depois, uma surpresa: Carol encontrou um marcador de páginas com uma dedicatória carinhosa da amiga Virgínia, que marcava o ano de 1986. A descoberta foi compartilhada numa rede social, dando início a uma 'caçada' aos personagens.
A viagem de 3,5 mil quilômetros feita pelo livro fez renascer uma história de amizade a partir da decoberta. “Eu fiquei imaginando quem seria Wellington e por qual motivo ele deixou o marcador dentro do livro e o vendeu mesmo assim, já que era uma mensagem bem carinhosa de uma amiga. Com a postagem no Facebook, várias pessoas se interessaram pela história e compartilharam querendo achar Wellington”, explicou Carol Corso.
Eu fiquei imaginando quem seria Wellington e por qual motivo ele deixou o marcador dentro do livro e o vendeu mesmo assim"
Carol Corso
O marcador de página dizia: “Wellington, que bom ter um amigo legal como você. Adoro a força que você une a si e o carinho que há entre nós. Agradeço a Deus por ter um amigo assim. Te desejo tudo de bom! Com carinho. Toda a felicidade para Nós. Beijão da amiga que te gosta muito”.
O texto era assinado apenas como Virgínia, datado de 5 de julho de 1986 e destinado a Wellington, dono original do livro. O marcador aguçou a curiosidade da jornalista, que acabou publicando a história no Facebook. Em poucas horas o assunto viralizou e já chega nesta quinta-feira (25) a quase seis mil compartilhamentos.
Começa a caçada
O G1 entrou em contato com o sebo Livros e Companhia, endereço de origem do livro adquirido por Carol pela internet, para saber o paradeiro do tal Wellington. O sebista Joselito Rodriguez explicou que comprou o livro e não pegou dados do ex-dono, apenas sabia que o homem era professor e tinha sido levado até o estabelecimento por um amigo, que já frequentava o sebo há vários anos.
Espero que a menina que encontrou, que teve muita sensibilidade, possa me mandar de volta porque o marcador é uma página de um livro bom na minha vida"
Wellington Rodrigues
Na busca por histórias tão bonitas quanto a de Carol, que se disponibilizou para entregar de volta o marcador, a reportagem encontrou o professor Wellington Rodrigues. Ele tem 49 anos, mora no bairro Novo Cruzeiro, em Campina Grande, é funcionário público, casado e tem dois filhos. Durante uma conversa, ele revelou que era o dono do livro e que tinha vendido o exemplar há cerca de três meses no sebo porque já não tinha mais espaço em casa. O que Wellington não sabia é que um simples livro poderia ser capaz de levá-lo de volta à juventude.

“Eu recebi o marcador de páginas em 1986 de uma colega de universidade, Virgínia. Nós éramos bem próximos. Por causa das aulas, formamos um grupo de quatro amigos: eu, ela, Inácia e Jasilene. Cursávamos Letras na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) quando tinha campus em Campina Grande. Vivíamos grudados estudando ou passeando. O laço era muito forte”, lembra.
Wellington explica que usou o marcador por vários anos e que deixou sob 'a responsabilidade de Davi Arrigucci' guardar a história de amizade que viveu na faculdade. “Quando fui vender, realmente não lembrei que [o marca página] estava dentro. Se passaram muitos anos. Mas eu o quero de volta. Espero que a menina que encontrou, que teve muita sensibilidade, possa me mandar de volta porque o marcador é uma página de um livro bom na minha vida. Ele faz me lembrar toda uma história de amizade que eu e Virgínia construímos na universidade”, afirmou.
Possível reencontro
E não é apenas para Wellington Rodrigues que o marcador de páginas é importante. A reportagem também localizou Virgínia Sousa, a autora da dedicatória, que além de confirmar toda a história, demonstrou saudade e entusiasmo, numa voz alegre e instigante, de quem acaba de descobrir que voltou à vida universitária num passe de mágica. Ou em um simples folhear do livro. Ela também é professora e atualmente mora em Brasília, Distrito Federal, onde constituiu família. 
“Ele era o brincalhão, o palhaço, nós éramos muito amigos por isso. E o nós [sublinhado na dedicatória] que chamou tanta atenção no que escrevi era o nós do grupo de amigos, que nós, o grupo, déssemos certo, que todos nós fôssemos felizes. Que nós realizássemos nossos sonhos. Éramos os quatro mosqueteiros”, contou Virgínia.
O tempo de hoje está tão difícil que as pessoas não trocam mensagens mais entre si. Uma história dessa chamar atenção é surpreendente"
Virgínia Sousa
A professora explicou como o grupo acabou se distanciando. Ela teve que terminar a graduação em Letras na cidade de Patos, no Sertão paraibano, a cerca de 170 km de Campina Grande. “Depois disso me mudei para Brasília e perdi totalmente o contato com Wellington, Inácia e Leninha [Jasilene]”, relatou.
Virgínia, conhecida pelos amigos como Nina, ficou emocionada. Não imaginava que uma mensagem escrita há tanto tempo fosse capaz de viajar o mundo e sensibilizar tantas pessoas. Nina diz que essa mensagem revela todo o seu lado bom, o lado que deve permanecer em todo mundo. “O tempo de hoje está tão difícil que as pessoas não trocam mensagens mais entre si. Uma história dessa chamar atenção é surpreendente. ‘Uma coisa tão elementar, meu caro Watson’”, ela brinca. “É uma coisa que está faltando na vida das pessoas, carinho, amizade, por isso que isso chamou atenção. As pessoas precisam parar, deixar um carinho, desejar coisas boas”, refletiu.
Mesmo com a distância, o sentimento dos dois é o mesmo: se reencontrarem. Virgínia informou que vai à Paraíba em setembro e promete levar ao amigo um novo marcador com outra dedicatória. Já Wellington diz não ver a hora de poder rever a amiga. “Quero dar um abraço nela e depois aproveitar para manter o contato”, disse ele. Com toda essa história, Virgínia só conseguiu concluir uma única coisa, que nem mesmo os anos que passou na universidade foram capazes de comprovar. “As palavras falham e a escrita permanece”, disse.
*Sob supervisão de Aline Oliveira e Taiguara Rangel

Fonte:G1
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