Advogado da PB cria aplicativo de simulação jurídica e ajuda estudantes

Uma ferramenta desenvolvida por um advogado paraibano tem ajudado estudantes de Direito a aproximar a teoria acadêmica da prática jurídica. O aplicativo Simulador Jurídico, pensado por Arnaldo Escorel, oferece na internet, por meio de um cadastro rápido, que o estudante ou demais profissionais que já atuam na área tenham acesso a processos que simulam situações reais como crimes de trânsito ou assassinatos.
O idealizador do aplicativo explica que todas as etapas do processo são simuladas, desde o caso em questão aos documentos usados no processo. “São 46 casos, com documentos, situações que foram criadas com base nos processos reais. Cada caso tem um profissional responsável, geralmente um professor, que vai acompanhar o desempenho no processo”, comentou. Em sua apresentação, o aplicativo informa que o resultado do caso vai depender da interpretação e atuação do usuário que representarem os personagens.
“O sistema do simulador de prática jurídica é formatado para não direcionar o resultado de um litígio”, garante. A ferramenta garante que diferente de situações simuladas comuns, onde a apresentação de um caso hipotético tem direcionamento para um determinado resultado, o simulador de prática jurídica oferece justamente o contrário, na qual a vitória no caso vai depender exclusivamente da interpretação e desempenho do usuário do aplicativo.
O usuário pode fazer o cadastro gratuitamente e ter acesso aos casos oferecidos pelo aplicativo, assim como conhecer os profissionais que formularam cada uma das peças simuladas. Para poder ter acesso à simulação, começar a trabalhar em um dos casos, o usuário precisar pagar uma taxa de R$ 6. O pagamento pode ser feito via sistema online de transações eletrônicas.

Arnaldo Escorel explica que algumas universidades oferecem o simulador gratuitamente ao aluno, por reconhecerem que o aplicativo melhora a capacitação do estudante que pretende entrar diretamente no mercado de trabalho. “Quando a universidade contrata o lote, fornece gratuitamente a senha de simulação ao usuário. Normalmente, fechamos pacotes com um preço mais acessível às instituições de ensino. Acredito que os escritórios também passem a buscar a ferramenta para afiar seus estagiários”, explicou o advogado e professor que pensou o aplicativo.
Funcionando desde 2014, o Simulador Jurídico é usado por universidades da Paraíba e de Pernambuco, e, segundo Escorel, também vai ser usado por uma universidade de Córdoba, na Argentina. Ele conta que os diretores da instituição do país vizinho se interessaram pela ferramenta e pediram que o site também oferecesse casos em língua espanhola e em conformidade com a legislação argentina.
“Pelo que pude perceber, o aplicativo de simulação da prática jurídica talvez seja pioneiro no Brasil e no mundo. Os diretores da universidade argentina comentaram que contrataram um simulador de Bolsa de Valores dos Estados Unidos e outro de práticas financeiras do México. Eles nos contaram que o único que encontraram na área jurídica foi o nosso. O aplicativo foi pensado inicialmente só para o Brasil, para só então buscar se enquadrar para os outros países. Mas as coisas foram tão rápidas que vamos fazer o caminho inverso”, detalhou o advogado. A partir de agosto deste ano, o aplicativo também vai estar disponível em espanhol.
São cinco anos de carga teórica, na qual o estudante não exercita e que muitas vezes se perde"
Arnaldo Escorel, professor e advogado
Ainda de acordo com o professor e advogado Arnaldo Escorel, a possibilidade de integração de estudantes e operadores do Direito de Argentina e Brasil pode gerar um espaço de direito comparado no site. “Estamos estudando a abertura dessa área onde brasileiros e argentinos discutam os casos com base na legislação de cada país. Ou até mesmo que os brasileiros simulem peças argentinas”, completou Escorel.
O aplicativo genuinamente paraibano, como o próprio professor gosta de ressaltar, foi a ferramenta encontrada para reduzir o abismo entre a academia e a prática, como Escorel afirma. “São cinco anos de carga teórica, na qual o estudante não exercita e que muitas vezes se perde. A grande ciência do operador do direito é o convencimento. Tudo é convencimento. Em momento nenhum se exercita o convencimento na academia”, avaliou.
Embora seja prioritariamente destinado a estudantes de direito, o Simulador Jurídico também é indicado para profissionais que já trabalham no mercado, mas que sentem dificuldade em determinadas áreas ou que pretendem se atualizar. “Pela prática da advocacia, exercida por mim há 10 anos, percebi que os processos patrocinados por alguns colegas, advogados, juízes e promotores, tinham formas erradas de interpretar a lei, eram processos maltratados por má atuação processual. Nesse tipo de conduta, o maior prejudicado é sempre a parte representada”, destacou.
Para o idealizador do aplicativo, a tendência é que as instituições de ensino e o profissionais passem a usar esse tipo de ferramente com muita frequência, com uma possibilidade até do Ministério da Educação (MEC) passar a exigir uma prática de simulação jurídica, semelhante à cobrada pelo Departamento Nacional de Trânsito nas autoescolas. Mas reconhece que neste momento, é um diferencial para aqueles que se preocupam com um melhor desempenho profissional. “Futuramente será necessidade, mas agora é um investimento na qualificação”, arrematou Escorel.

Fonte:G1
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