Tropas das Forças Armadas vão monitorar Rio nos próximos 2 meses

Os militares das Forças Armadas que desembarcaram no Rio de Janeiro na última semana para atuar na Olimpíada e na Paralimpíada devem permanecer na capital fluminense pelos próximos dois meses. A missão de garantir a paz e a ordem e fiscalizar portos, aeroportos e espaços urbanos só termina no último dia das competições, em 18 de setembro
Além da exaustiva preparação física, militares que embarcaram para a missão na última sexta-feira (16) falaram ao G1 sobre o preparo psicológico para lidar com a ameaça de terrorismo, a importância do evento e a distância da família. Com 13 anos de carreira militar e experiência na missão de paz do Brasil no Haiti, em 2012, o capitão da Aeronáutica Bruno Heloy Herculano diz ter uma "preocupação a mais", desta vez.
"Tenho uma filha de 15 dias, Heloísa, que ficou em Porto Velho com a mãe. Minha esposa é militar, então entende a situação. A gente deixa [a família] com o coração bem abertado, mas sabemos que a missão tem que ser cumprida", diz. No celular, ele exibe as fotos da filha que vão acompanhá-lo no alojamento.
Para atuar nos Jogos, os 22.850 integrantes das Forças Armadas convocados receberam treinamento especial por dois meses, de domingo a domingo. Os militares tiveram aulas de direito penal e militar, uso progressivo da força e raio de engajamento (como agir à distância com segurança, sem ferir inocentes), além de preparação psicológica para lidar com grandes ameaças.
"Em relação ao terrorismo, por exemplo, a tropa teve preparo especial para estar atenta em relação a malas, qualquer objeto com risco. O preparo psicológico do militar tem que ser constante por causa dos horários, do cumprimento de missões, é muita cobrança", diz Heloy.
Também recém-chegado ao Rio, o sargento Josué Vitor Filho afirma que, para os militares, o terrorismo não é a maior preocupação em campo. "A gente tem um setor direcionado para a inteligência, para identificar a ameaça terrorista. Nossa parte, estando na rua, é mais voltada para a segurança. Roubo, assalto, quebra da ordem", diz.
Questionado pelo G1 sobre a distância da família e a preocupação de quem permaneceu em Porto Velho, Filho desconversa. "Agora, é só a tensão da Olimpíada. Daqui a 45, 60 dias, a gente volta a pensar em tudo isso". Segundos depois, completa: "Mas a saudade é grande, a gente sabe que eles se preocupam."

A partir do próximo domingo (24), as equipes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica assumem a segurança de espaços de grande movimentação da capital fluminense como as estações ferroviárias, o aeroporto do Galeão, a Avenida Brasil, a orla de Copacabana, a via Transolímpica e trechos das linhas Amarela e Vermelha.
Treinamos taxistas, condutores e funcionários do Metrô, pessoal do setor hoteleiro para que eles reconhecessem e nos informassem qualquer atitude estranha. Pode ser só uma atitude estranha, mas queremos saber. Por mais que venhamos a fazer, a sociedade precisa estar ao nosso lado"
Raul Jungmann, ministro da Defesa
Na última sexta, o G1 acompanhou uma simulação de interceptação da Aeronáutica contra uma aeronave suspeita no espaço aéreo do Rio. Neste domingo (17), as tropas simulam o esquema de segurança para a abertura dos Jogos. O treinamento deve se estender por toda a próxima semana.
"Treinamos taxistas, condutores e funcionários do Metrô, pessoal do setor hoteleiro para que eles reconhecessem e nos informassem qualquer atitude estranha. Pode ser só uma atitude estranha, mas queremos saber. Por mais que venhamos a fazer, a sociedade precisa estar ao nosso lado", disse o ministro da defesa, Raul Jungmann.
Terrorismo
O ministro acompanhou um dos voos da FAB que fazia o transporte de militares entre Brasília e Rio nesta sexta. Apesar das declarações públicas de que o Brasil tem baixo risco de terrorismo e está preparado para conter ameaças externas, Jungmann usou o discurso de recepção dos combatentes para reforçar o compromisso com o evento.
17/07/2016 14h08 - Atualizado em 17/07/2016 14h09
Tropas das Forças Armadas vão monitorar Rio nos próximos 2 meses
Militares reforçam segurança nos Jogos Olimpícos até 17 de setembro.
Ação começa no dia 24; antes, grupo faz simulações de pânico e terrorismo.
Mateus Rodrigues
Do G1 DF - O jornalista viajou de Brasília ao Rio a convite da FAB
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 O capitão da Aeronáutica Bruno Heloy Herculano, que vai atuar na segurança dos Jogos Olimpícos Rio 2016 (Foto: Mateus Rodrigues/G1)
O capitão da Aeronáutica Bruno Heloy Herculano, que vai atuar na segurança dos Jogos Olimpícos Rio 2016 (Foto: Mateus Rodrigues/G1)
Os militares das Forças Armadas que desembarcaram no Rio de Janeiro na última semana para atuar na Olimpíada e na Paralimpíada devem permanecer na capital fluminense pelos próximos dois meses. A missão de garantir a paz e a ordem e fiscalizar portos, aeroportos e espaços urbanos só termina no último dia das competições, em 18 de setembro.

Além da exaustiva preparação física, militares que embarcaram para a missão na última sexta-feira (16) falaram ao G1 sobre o preparo psicológico para lidar com a ameaça de terrorismo, a importância do evento e a distância da família. Com 13 anos de carreira militar e experiência na missão de paz do Brasil no Haiti, em 2012, o capitão da Aeronáutica Bruno Heloy Herculano diz ter uma "preocupação a mais", desta vez.
"Tenho uma filha de 15 dias, Heloísa, que ficou em Porto Velho com a mãe. Minha esposa é militar, então entende a situação. A gente deixa [a família] com o coração bem abertado, mas sabemos que a missão tem que ser cumprida", diz. No celular, ele exibe as fotos da filha que vão acompanhá-lo no alojamento.
Para atuar nos Jogos, os 22.850 integrantes das Forças Armadas convocados receberam treinamento especial por dois meses, de domingo a domingo. Os militares tiveram aulas de direito penal e militar, uso progressivo da força e raio de engajamento (como agir à distância com segurança, sem ferir inocentes), além de preparação psicológica para lidar com grandes ameaças.
"Em relação ao terrorismo, por exemplo, a tropa teve preparo especial para estar atenta em relação a malas, qualquer objeto com risco. O preparo psicológico do militar tem que ser constante por causa dos horários, do cumprimento de missões, é muita cobrança", diz Heloy.
Também recém-chegado ao Rio, o sargento Josué Vitor Filho afirma que, para os militares, o terrorismo não é a maior preocupação em campo. "A gente tem um setor direcionado para a inteligência, para identificar a ameaça terrorista. Nossa parte, estando na rua, é mais voltada para a segurança. Roubo, assalto, quebra da ordem", diz.
Questionado pelo G1 sobre a distância da família e a preocupação de quem permaneceu em Porto Velho, Filho desconversa. "Agora, é só a tensão da Olimpíada. Daqui a 45, 60 dias, a gente volta a pensar em tudo isso". Segundos depois, completa: "Mas a saudade é grande, a gente sabe que eles se preocupam."
Soldados em avião que saiu de Brasília nesta sexta-feira (15) com primeira leva de tropas que vão atuar na segurança dos Jogos Olimpícos Rio 2016  (Foto: Mateus Rodrigues/G1)
Soldados em avião que saiu de Brasília nesta sexta-feira (15) com primeira leva de tropas que vão atuar na segurança dos Jogos Olimpícos Rio 2016 (Foto: Mateus Rodrigues/G1)
A partir do próximo domingo (24), as equipes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica assumem a segurança de espaços de grande movimentação da capital fluminense como as estações ferroviárias, o aeroporto do Galeão, a Avenida Brasil, a orla de Copacabana, a via Transolímpica e trechos das linhas Amarela e Vermelha.
Treinamos taxistas, condutores e funcionários do Metrô, pessoal do setor hoteleiro para que eles reconhecessem e nos informassem qualquer atitude estranha. Pode ser só uma atitude estranha, mas queremos saber. Por mais que venhamos a fazer, a sociedade precisa estar ao nosso lado"
Raul Jungmann, ministro da Defesa
Na última sexta, o G1 acompanhou uma simulação de interceptação da Aeronáutica contra uma aeronave suspeita no espaço aéreo do Rio. Neste domingo (17), as tropas simulam o esquema de segurança para a abertura dos Jogos. O treinamento deve se estender por toda a próxima semana.
"Treinamos taxistas, condutores e funcionários do Metrô, pessoal do setor hoteleiro para que eles reconhecessem e nos informassem qualquer atitude estranha. Pode ser só uma atitude estranha, mas queremos saber. Por mais que venhamos a fazer, a sociedade precisa estar ao nosso lado", disse o ministro da defesa, Raul Jungmann.
Terrorismo
O ministro acompanhou um dos voos da FAB que fazia o transporte de militares entre Brasília e Rio nesta sexta. Apesar das declarações públicas de que o Brasil tem baixo risco de terrorismo e está preparado para conter ameaças externas, Jungmann usou o discurso de recepção dos combatentes para reforçar o compromisso com o evento.
"Vocês foram selecionados dentre os melhores dos melhores, para assegurar que os Jogos transcorram na mais absoluta segurança. É reconfortante ver que, em um momento em que o mundo padece de tantas preocupações, nos tenhamos em vocês compromisso e coragem para garantir que nada disso se repetirá. O Brasil espera que os senhores cumpram com o vosso dever", declarou.
Em entrevista na Base Aérea do Galeão, no Rio, o ministro informou que o governo federal reuniu dados de 500 mil pessoas de todas as partes do mundo suspeitas de associação com terrorismo em um cadastro unificado para a Olimpíada do Rio.
"Quem quiser assistir aos Jogos terá de passar por duas barreiras. Na primeira, os dados serão batidos com esse banco. Na segunda, malas, garrafas e recipientes serão passados por um escâner", afirmou.
Uma "terceira barreira", segundo o ministro, será o "código de conduta" dentro das arenas. "A pessoa terá de se comportar nos locais de jogos de modo a não chamar a atenção", declarou ao fim da viagem ao Rio.

Fonte G1
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