Polícia divulga novas mensagens de estudante morto em padaria na PB

Foi divulgada pela polícia uma mensagem de voz enviada por meio de um aplicativo de celular por Marcos Antônio do Nascimento Filho, de 28 anos, morto no dia 4 de junho durante um assalto forjado a uma padaria no bairro Jardim Luna, em João Pessoa. No áudio enviado à ex-noiva, Dihene de Freitas Silva, o jovem reclama da irmã, suspeita de ser a mandante do crime. “Ela tem feito e já fez coisas contra mim que não se faria nem com um cachorro, nem com o pior inimigo", diz a vítima.
No áudio, Marquinhos, como a vítima era conhecida, também diz que a mãe dele e da irmã, Maria Celeste de Medeiros Nascimento, de 26 anos, estaria sendo manipulada por ela. "Mas, minha mãe... eu sei que ela está sendo manipulada, entendeu?”, diz no áudio.

Desde o crime, os investigadores tentavam descobrir porque Marquinhos foi assassinado, mesmo sem ter reagido ao suposto assalto. A pista veio dos amigos de Marcos, entre eles a ex-noiva, que teve um relacionamento de seis anos com o jovem. Ela afirma que durante o tempo em que esteve ao lado de Marcos, percebeu que ele tinha um relacionamento complicado com a família.
“Chegamos a terminar o nosso relacionamento porque eu dizia que ele não tomava uma atitude”, conta Dihene. A ex-noiva de Marquinhos revelou ainda que ele nunca demonstrou sentir medo da irmã. “Acho que em momento nenhum passou pela cabeça dele que isso pudesse acontecer. Ele tinha um amor muito grande pela família e por ela também. E foi esse amor que matou ele”, disse Dihene Silva.
Suspeita trocou mensagens com executores
Com autorização da Justiça, a polícia teve acesso a novas mensagens de texto dos celulares dos suspeitos de envolvimento no crime. Em mensagens de texto trocadas entre Maria Celeste e o homem que teria sido contratado para matar Marquinhos, Celeste diz que “tem que pegar ele [Marquinhos] quando chegar, ou no caminho, ou ele vai na polícia”. Como resposta, o suspeito de ter atirado no jovem garante: “se ele não cair daqui para amanhã, eu mudo meu nome”.
Marcos Antônio cursava Medicina Veterinária no Campus da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) na cidade de Areia, no Brejo paraibano e, segundo a polícia, por meio da mensagem, a irmã dele pede que o crime seja cometido durante o trajeto do estudante entre Areia e João Pessoa.
Sete pessoas presas
Maria Celeste está presa desde o dia 27 de junho na Central de Polícia de João Pessoa e nega a participação no crime. Outras seis pessoas também foram presas, inclusive os dois homens que praticaram o suposto assalto, entre eles o que que teria efetuado o disparo que matou Marcos Antônio. Também foi presa uma funcionária da padaria, que estava operando o caixa do estabelecimento no momento da ação e que, segundo a polícia, seria namorada de Maria Celeste e cúmplice do crime.
O homem que teria feito a intermediação entre Celeste, os suspeitos do suposto assalto e o motorista do veículo que proporcionou a fuga também foram presos. Todos permanecem em prisão temporária na carceragem da Central de Polícia, na capital.
Segundo a polícia, a prisão temporária poderá ser prorrogada por mais 30 dias. Caso haja a conversão para prisão preventiva, os suspeitos serão transferidos para os presídios de João Pessoa. O empresário que comprou os bens vendidos pela família havia sido detido, mas foi liberado por falta de provas.
Família acredita na inocência de Maria Celeste
A família de Maria Celeste e Marquinhos falou pela primeira vez à equipe da TV Cabo Branco e a matéria foi veiculada no domingo (17), no Fantástico. Integrantes da família de Celeste e Marquinhos acreditam na inocência da suspeita de ser a mandante do crime. Para Caroline Maria Dantas de Medeiros, mãe de Celeste e Marcos, o crime foi premeditado, mas não pela filha dela. “Eu acredito que foi premeditado, mas ela não tem nada a ver com isso não. Minha filha é amorosa, ela é muito tímida. Ela é tímida demais”, afirmou.
A mãe do filho de Marquinhos, Késsia Patrícia também se posiciona em defesa de Maria Celeste, que era tratada por membros da família pelo apelido de “Linda”, que teria sido colocado por Marcos, quando ela nasceu. “A Linda que eu conheço é a Linda amorosa, a filha que ajuda a mãe, a filha que era louca pelo pai e louca pelo irmão”, afirmou Késsia.
O advogado de Maria Celeste, José de Moura Junior, afirma que o principal questionamento que a defesa faz é “a falta de oportunidade que foi dada à família de relatar, esmiuçar quem é Maria Celeste, qual é a personalidade, qual é o histórico dela. A família precisa apresentar essa informação, para que, assim, tenha a sensação de justiça, que neste momento, entende-se que não há”.
Já para a Polícia Civil, não há dúvidas sobre a autoria do crime. “Nós estamos com a nossa convicção formada de que foi um plano ardiloso de Celeste para matar o seu próprio irmão”, declarou o delegado Aldrovilli Grisi.
O circuito de câmeras da padaria onde o fato ocorreu gravou a ação dos dois homens que praticaram o suposto assalto que resultou na morte de Marcos Antônio. “Desde o princípio, nós recebemos a ocorrência como se tratando de um latrocínio (roubo seguido de morte), mas após a análise das imagens, não restou dúvida de que seria uma execução”, afirmou a delegada titular da Delegacia de Homicídios da capital, Júlia Valeska. “Ela (Maria Celeste) é uma pessoa de uma maldade num grau acima do normal”, ressaltou a delegada.
Motivo do crime seria briga por herança
De acordo com as investigações da polícia civil, o motivo do crime seria um desentendimento entre  os irmãos Marcos e Celeste, por causa da venda de imóveis da família, que haviam sido deixados como herança pelo pai deles, que morreu há três anos.
As discussões teriam começado após a venda de um conjunto de casas que pertencia à família, localizado em uma área valorizada no município de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa. O valor pago pelo comprador foi de R$ 400 mil, além de uma caminhonete avaliada em R$ 70 mil. Como parte do pagamento, o comprador, que é um empresário de Bayeux, teria se comprometido ainda a pagar por um ano o aluguel de um apartamento para a família de Maria Celeste.
A investigação revela ainda que Marcos discordava da venda dos imóveis e que Celeste tentou vender outro imóvel, no mesmo município, que pertencia a ele, usando uma procuração falsa, mas o irmão dela descobriu e passou a cobrar explicações. As mensagens de texto recuperadas e divulgadas pela polícia apontam que Marquinhos teria mexido no celular de Celeste e encontrado uma cópia da procuração falsa que Celeste teria mandado fazer em nome dele para tentar vender o imóvel que pertencia ao irmão.
“Celeste já estava sob pressão, Marquinhos já estava pressionando a irmã, porém com a descoberta dessas informações, para ele foi a gota final” revelou o delegado de Homicídios Aldrovilli Grisi. A partir de então, segundo a polícia, Celeste se sentiu ameaçada e passou a planejar a morte do irmão. “Ela tramou, ela armou uma arapuca para o seu próprio irmão”, ressaltou Aldrovilli.

Fonte:G1
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