Frentista colaborou em assalto em que empresário morreu, diz polícia

Um frentista do posto de combustíveis do empresário Marcone Morais, morto na segunda-feira (11) durante uma troca de tiros em uma agência bancária no bairro do Bessa, em João Pessoa, foi apontado pela polícia como o responsável por passar informações privilegiadas para os suspeitos do latrocínio, de acordo com o superintendente regional da Polícia Civil, Marcos Paulo Vilela. O frentista e outras duas pessoas foram presas suspeitas do crime. Os três foram apresentados na manhã desta quarta-feira (13), durante uma entrevista coletiva na Central de Polícia Civil de João Pessoa.
Além do funcionário do posto, que foi preso às 22 horas desta terça-feira (12), quando chegava para trabalhar no posto do Bessa, os suspeitos são Lucas Vinícius Martins dos Santos, o "Luquinhas", Fabrício Cruz de Araújo, que teria resgatado o trio de suspeitos, após a fuga do local do crime e o capotamento do veículo utilizado na ação. Um terceiro suspeito está foragido. O quarto envolvido, que morreu no local do fato, segundo a polícia, é conhecido como Edgley. Outro homem segue foragido e a polícia suspeita da participação de pelo menos mais duas pessoas.
Após a prisão, funcionário do posto confessou a participação no assalto e disse que teria passado as informações de que a vítima estava indo ao banco com um malote com R$ 300 mil, resultantes da arrecadação do posto no final de semana. Segundo a polícia, o frentista não tem passagem pela polícia e deve ser indiciado por associação criminosa qualificada e os outros presos por latrocínio e associação criminosa. "A pena do crime de latrocínio é bem alta. Pode ultrapassar 30 anos, devido à associação criminosa e os antecedentes criminais", ressaltou o delegado Aldrovilli Grisi.
Detalhes do crime foram divulgados em entrevista coletiva na Central de Polícia Civil, em 
Segundo ele, os acusados disseram que o mentor do crime foi o suspeito que morreu na ação, atingido por um tiro na cabeça, disparado pelo empresário durante reação ao assalto. O delegado disse que o frentista relatou ter sido coagido por este suspeito a participar do crime, sob ameaça de que sua família seria morta caso as informações não fossem repassdas. Grisi também explica que os três acusados presos, além do que foi morto, moravam no bairro São José.
A delegada titular de Homicídios, Júlia Valeska, informou que, logo após o crime, a polícia recebeu diversas denúncias formais, pelo número 197, o Disque Denúncia da Polícia Civil, além de denúncias informais, feitas diretamente a alguns dos 15 investigadores de polícia da Delegacia de Homicídos, que participaram das buscas.
As denúncias apontavam a participação de Lucas e do frentista na ação. Segundo a delegada, todos os envolvidos identificados pela polícia moravam no mesmo bairro. "De imediato, iniciamos nosso trabalho, como de costume, e nossos investigadores partiram para o trabalho de campo, com a finalidade de confirmar essas denúncias, que convergiam para um nome: Lucas Vinícius Martins dos Santos", declarou a delegada.
Ela disse ainda que "Luqinhas" é conhecido da polícia, "por diversas práticas de roubo e, inclusive participou do assalto ao Bradesco" da Avenida Epitácio Pessoa, em maio deste ano. "Já tinhamos o visual de 'Luquinhas', fotografias, e sabíamos seu endereço no Bairro São José. Ontem passamos o dia inteiro no Bairro e conseguimos efetuar a prisão de Luquinhas, que, incluisve, já possuia um mandado de prisão em aberto", revelou Júlia Valeska.

Segundo ela, Lucas teria agido com outros três indivíduos no assalto ao empresário Marcone Morais, que seriam Edgley, que morreu no local do assalto e mais dois homens ainda não localizados. "Fabrício Cruz de Araújo foi identificado como o criminoso que resgatou os autores do latrocínio após o veículo ter capotado", afrimou Júlia Valeska.
A delegada revelou ainda que "não foi suspresa para a polícia que algum funcionário da vítima tivesse repassado informações privilegiadas aos criminosos, pois Marcone Morais estava naquele momento indo realizar um depósito bancário e foi evidente que havia sido seguido, que se tinha conhecimento de horário e de rotina da movimentação bancária do empresário."
O advogado Bruno Misael, responsável pela defesa dos acusados Fabrício Araújo e Lucas Vinícius, disse que há um mandado de prisão em aberto contra Lucas Vinícius, por participação no assalto ao Bradesco da Avenida Epitácio Pessoa, em maio deste ano. Sobre a participação no latrocínio, o advogado disse que Lucas “confessa em parte a participação na empreitada criminosa”.
Ainda de acordo com o advogado, “ele fala que atirou a esmo no momento da primeira abordagem da vítima; ele falou que atirou para o alto, para afugentar o primeiro tiro da vítima, que veio a óbito.” Bruno Misael declarou inda que o outro acusado, Fabrício Araújo, ainda será ouvido. “A polícia acusa que ele deu a fuga e isso ainda vai ser objeto de oitiva”, revelou o advogado.
Imagens mostram ação
As imagens de câmeras de segurança da agência bancária em que o crime aconteceu mostram o momento em que ele foi abordado por três homens. (Veja vídeo acima)
Nas imagens, divulgadas pela polícia, Marcone desce do carro e, quando passava pela porta da agência, é abordado por um homem e os dois lutam. O empresário consegue reagir, atira e mata o agressor. Outro agressor atira no empresário e foge em seguida. 
Segundo a delegada Julia Valeska, pelas imagens internas do banco, ficou claro que a vítima estava sendo seguida e que era um alvo previamente definido. Na tarde da terça-feira, dois suspeitos do crime foram presos pela polícia e o crime foi elucidado após a chegada de várias denúncias anônimas por meio do número 197. Os presos confessaram à polícia que o objetivo do crime era apenas o roubo e que teriam atirado porque a vítima reagiu.

Com os suspeitos, a polícia apreendeu um material que seria utilizado em assaltos a bancos, além de uma pistola .40. O revólver calibre 38 que pertencia à vítima também foi apreendido. A arma do outro suspeito de atirar em Marcone ainda está sendo procurada pela polícia.
Com exceção do frentista, os dois homens presos, além do que morreu na ação, já tinham passagem pela polícia por assalto a bancos. O homem que teria atirado na vítima também é suspeito de participar no assalto ao banco Bradesco da avenida Epitácio Pessoa, em fevereiro deste ano.
Polícia descarta execução
O delegado Marcos Paulo também explicou que a polícia descartou definitivamente a possibilidade do crime estar relacionado a uma denúncia que a vítima fez, em 2007, de um suposto esquema de cartelização dos preços de combustíveis na capital paraibana, que envolveria empresários da Paraíba e de Pernambuco. A investigação fez parte da operação da Polícia Federal que ficou conhecida como ‘274’, em referência ao valor cobrado pelo litro de gasolina, R$ 2,74, em praticamente todos os postos da capital no período.
Marcone Morais foi atingido por dois tiros no tórax e chegou a ser socorrido para o hospital de Emergência e Trauma da capital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Os corpos do empresário e do suspeito foram levados para a Gemol, onde foram periciados.

Fonte:G1
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