Clínicas oferecem tratamento popular para depressão em João Pessoa

A identificação da doença e a busca por tratamento são muito importantes para superar a depressão. “Depressões que tem causas mais evidentes - são reações a situações vivenciais como uma separação, um luto, uma aposentadoria - muitas vezes são tratadas só com psicoterapia. Depressões médias ou graves, aí sim, deve ser feito sempre medicação também”, explicou o psiquiatra Givaldo Medeiros. O JPB 1ª Edição exibe, ao longo desta semana, uma série de reportagens sobre a depressão.
A depressão é classificada em três níveis. Ela é considerada leve quando a pessoa tem os sintomas, mas ainda consegue cumprir as tarefas do dia-a-dia. É moderada quando a doença já começa a impedir que a pessoa cumpra com todas as atividades antes desempenhadas. A grave é quando a vida para por conta da depressão.

“Normalmente as pessoas tendem a lidar com quem está deprimido como se fosse uma coisa que ela pudesse tirar da cabeça. Mas se eu quero ajudá-la, eu vou sentar do lado dela e ficar com ela em vez de querer forçá-la para ela ir para uma festa ou para uma caminhada, ou seja o que for”, alertou o psiquiatra.
É um renascimento para a vida, para a luz, para a esperança"
Sebastião Filho,
estudante
O estudante Sebastião Filho passou 20 anos com depressão. "O ano era 1992, dia 3 de outubro. De repente, sem causa aparente, eu comecei a chorar. Ia  me isolar, ficar trancado. Internamente, você está preso numa escuridão”, lembrou. Ele explicou que consultou médicos, que recomendavam medicação e exercícios físicos. Ele, porém, não tinha a motivação para seguir as orientações do especialista.
"Uma vez eu recebi de presente uma viagem para a Europa. Quantas pessoas não gostariam de visitar a Europa e eu recusei", contou. Após superar o problema, hoje ele faz questão de caminhar pela luz e garantiu que não recusaria mais a viagem. "É um renascimento para a vida, para a luz, para a esperança".

Tratamentos populares
Apesar da importância do tratamento, muitas pessoas que sofrem com o problema não têm condições financeiras para arcar com os custos. Para auxiliar essas pessoas, algumas faculdades de João Pessoa dispõem de clínicas-escola que oferecem o serviço gratuitamente ou a preços populares. Nesses locais, estudantes fazem o atendimento sob supervisão de professores.

A Clínica de Psicologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) atende 160 pessoas por semana. Outras 100 ainda estão na lista de espera. O telefone de contato da clínica é o (83) 3216­-7338. “Está aberto à comunidade de um modo geral, priorizando pessoas de baixa renda e também nossos estudantes tanto do curso de Psicologia quanto do próprio campus”, explicou a vice-coordenadora, Sandra Souza.

A Facene/Famene oferece consultas nos centros de saúde e clínicas-escola da faculdade, localizados no Centro de Bayeux, na Grande João Pessoa. Qualquer pessoa que precise do serviço tem direito ao tratamento e os agendamentos podem ser feitos por meio do telefone (83) 3232-8926.
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A faculdade ainda vai inaugurar um novo centro médico no Valentina, em João Pessoa, nesta quinta-feira (28). O local também vai contar com uma equipe de atendimento ligada à residência médica em psiquiatria. As marcações para esse centro devem ser feitas pelo telefone (83) 3237-6405.
A Faculdade Maurício de Nassau, localizada na Avenida Epitácio Pessoa, tem uma clínica-escola de saúde que conta com serviços de fisioterapia e psicologia. No local, são realizados acompanhamentos com pacientes com depressão e, para ter acesso ao serviço, basta o paciente comparecer à clínica com documentos pessoais, fazer um cadastro, passar pela triagem e aguardar na lista de espera o horário solicitado pelo paciente.
A partir da segunda semana de agosto, quando terminam as férias, vai ser cobrada uma taxa de R$ 10 por sessão no atendimento da psicologia, para ajudar na manutenção da clínica.
A Clínica-escola de Psicologia do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), na BR-230, atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a gestora técnica, Sandra Mousinho, o atendimento é para o público em geral e para funcionários e alunos da faculdade.
No início de cada semestre letivo, os pacientes passam por uma triagem antes de serem encaminhados para o atendimento, que dura um semestre, podendo ser prorrogado. O serviço é gratuito e mais informações podem ser solicitadas por meio do telefone (83) 2106-9218.
O Centro de Apoio Psicossocial (Caps) é mais uma alternativa para quem precisa de ajuda. No espaço, mantido pela Prefeitura de João Pessoa, só são tratados casos mais graves. A aposentada Socorro Câmara teve depressão depois de perder a mãe e sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). No Caps, ela trabalha com reciclagem, transformando lixo em arte, e conseguiu também transformar a dor em alegria. “Tudo pode se transformar em algo novo. Como nossa vida, todo dia o Sol nasce diferente. Estava escuro, agora não. Eu pinto colorido porque a minha vida é uma alegria”, disse.
Se um familiar perceber qualquer alteração de humor, a perda da capacidade da vida diária, da pessoa manter suas atividades, então pode procurar uma Unidade de Saúde da Família [USF], que vai ser atendido pelo médico e vão ser feitos os encaminhamentos. A gente só trata de depressão grave, que são os quadros em que já se instalam alucinações, delírios perceptórios e quando o risco de suicídio é alto”, esclareceu a diretora do Caps Caminhar, Jaidete Alves.

Fonte:G1
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