Autora de denúncia contra Dom Aldo vai ser julgada em João Pessoa

A autora da carta que contém denúncias de pedofilia contra Dom Aldo di Cillo Pagotto, que renunciou ao cargo de arcebispo da Paraíba na quarta-feira (6), vai ser julgada por uma ação de queixa-crime movida pelo religioso no próximo dia 14. A informação foi confirmada pelo advogado da própria mulher, Iarley Maia, que defende que sua cliente está sendo caluniada. A carta também contém denúncia de acobertamento de casos de padres e seminaristas que estariam mantendo relações com crianças e adolescentes. A ação tramita no Fórum Criminal de João Pessoa.
A assessoria de imprensa da Arquidiocese da Paraíba informou que Dom Aldo prefere não falar com a imprensa, mas segue firme no intuito de processar a mulher por calúnia e difamação. Segundo a assessoria, o bispo emérito afirma que a mulher não apresentou provas das denúncias feitas na carta e ainda se recusou, na audiência de conciliação realizada no dia 19 de abril, a retirar as acusações, dando prosseguimento ao processo.
Para o advogado da autora da carta, a renúncia de Dom Aldo não deve ter influência no julgamento da cliente dele. “Ela foi muito pressionada, caluniada, difamada e até desrespeitada em sua honra. Colocaram em dúvida a sanidade mental dela. Foi preciso os exames de sanidade mental para comprovar que isso não existia”, explicou. Iarley Maia ainda negou a tese de que a mulher teria negado as informações denunciadas à Igreja.

Dom Aldo apresentou uma carta de renúncia, que foi aceita pela Congregação para os Bispos. Na quarta-feira, um decreto do Papa sobre a renúncia foi publicado no site do Vaticano. Ao aceitar a renúncia de Dom Aldo, Papa Francisco nomeou Dom Genival Saraiva de França como Administrador Apostólico da Arquidiocese até que um novo arcebispo seja nomeado. Dom Genival só deve se apresentar na Paraíba na sexta-feira (8).
A agência de notícias AFP, ao noticiar a renúncia de Dom Aldo, destacou a investigação contra o arcebispo, que começou em 2015. Em uma carta enviada ao Vaticano, a mulher relatou que Dom Aldo mantinha relação afetiva e sexual com um jovem de 18 anos e permitia e encobria o relacionamento de padres e seminaristas com crianças e adolescentes. No mesmo ano, o arcebispo foi alvo de visitas canônicas e teria sido impedido de ordenar novos padres.
Em sua carta de renúncia, Dom Aldo afirma que cometeu erros "por confiar demais, numa ingênua misericórdia". "Acolhi padres e seminaristas, no intuito de lhes oferecer novas chances na vida. Entre outros, alguns egressos, posteriormente suspeitos de cometer graves defecções, contrárias à idoneidade exigida no sagrado ministério", destaca.
O Papa Francisco decidiu no início de junho pressionar a hierarquia católica a abrir caminho para o afastamento de padres culpados por negligência envolvendo casos de pedofilia dentro da Igreja. Francisco criou uma instância judiciária para julgar os padres pedófilos e instituiu uma comissão internacional de especialistas encarregados de propor medidas de prevenção desses casos.
Carta de renúncia
Em sua carta de renúncia, Dom Aldo, que esteve à frente da Igreja Católica na região de João Pessoa por 12 anos, cita os motivos que o levaram a tomar a decisão de se afastar da Arquidiocese, mas também resgata sua história no cargo.
"Tentei doar o melhor de mim mesmo, não obstante as sérias limitações de saúde, ademais das repercussões no equilíbrio emocional, causadas pela constante necessidade de superar conflitos inevitáveis, advindos de reações ao meu modo de ser e de agir", diz. Com a renúncia, Dom Aldo passa a ser considerado bispo emérito da Paraíba.
Novo administrador
O novo administrador da arquidiocese da Paraíba, Dom Genival, é Bispo Emérito de Palmares, em Pernambuco, de onde foi afastado por ter completado 75 anos. Em sua primeira carta destinada aos fiéis da Arquidiocese, ele diz que deseja "viver este tempo de vacância da Arquidiocese da Paraíba com um coração misericordioso, no espírito do Jubileu da Misericórdia".

Fonte:G1
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